20anos

20 anos depois e duas “lendas vivas” (das Caldas)
Hoje levantei-me em sobressalto
pressenti que o sol anunciava                        
um dia diferente dos outros                                 
sem perder muito tempo
aparo a barba e tomo um café
ávido e expectante
segui estrada fora
entre a região saloia e zona oeste
a emoção chegou saltitante
entrei na cidade
sem cumprimentar a Rainha
ou a casa do Benfica
(outrora vizinha, agora desaparecida)
a dada altura avisto 
aquela pequena rotunda
entre o “nosso” prédio e a escola
os metros começam a encurtar 
por entre os arvoredos, 
e pronto, chegámos!
Ao sair do carro 
avistei  uma “lenda viva”
a conduzir um carro antigo
de marca alemã e chapa dura
pouco depois já no interior
povoado de juventude 
cruzámo-nos no hall
conversa para aqui,
César para ali
Solar da Paz para acolá
e pronto parece que
nem foi assim há tanto tempo..
E não é que uns passadiços depois
(de cheiro intenso a pinhal)
que unem a velha escola e o novo bar, 
deparo-me com outra “lenda viva”!

07-06-2019

 

Segunda parte
Almoço no Tijuca e passeio no parque 
(com visita ao museu Malhoa)

Volvido o turbilhão emocional            
na antiga ESTGAD agora ESAD
uma brisa nostálgica a pinhal
esmorecia ao regressar ao carro
avizinhava-se a segunda parte
revisitar aqueles locais da cidade 
e procurar uma boa tasquinha 
todavia antes disso
havia uma paragem obrigatória                   
um prédio de escadas em caracol
que albergou no segundo piso
cinco estudantes da escola
3 de artes plásticas e 2 designers
o Rito, o Pombeiro, eu, o Saúl e o Gil
três anos de histórias, amizade,
crescimento, boa música e boémia..
O almoço foi no Tijuca,
sugestão do Vitor,
restaurante pequeno e castiço                    
de esquina com o parque 
e uma calçada inclinada
para a praça da fruta.                           
Os jaquinzinhos estaladiços 
desapareciam inteiros 
entre goles de branco da casa,
em cada gole, uma memória,
um rosto, vários momentos
apareciam com aquela leveza
bonita que o vinho emana,
por instantes vi-me
aquele menino de 18 anos
sem grandes preocupações
praticamente só era preciso
ser feliz e fazer uns desenhos..